Rio, Capital Mundial da Arquitetura

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fev 03 2019
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Praia Vermelha e Praia de Botafogo ao fundo, com Morro da Urca ao lado

Cidade de muitos títulos e honrarias, o Rio de Janeiro acaba de receber mais um, de enorme importância: é a primeira Capital Mundial da Arquitetura! A novidade veio de cerimônia na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO – em Paris na sexta-feira, 18 de janeiro. É a primeira vez que uma cidade recebe essa designação, que foi criada no ano passado em parceria entre a Unesco e a União Internacional dos Arquitetos – UIA. Em 2012, a Unesco já tinha concedido ao Rio o título de patrimônio cultural mundial na categoria paisagem urbana. E com a nova designação, o Rio fica responsável pela organização do Congresso mundial da União Internacional dos Arquitetos no ano que vem, que acontecerá entre 19 e 26 de julho de 2020.

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Marina da Glória com Pão de Açúcar ao fundo.

O título foi concedido tendo em vista a diversidade urbanística do Rio, que tem em seu território situações comuns de grandes centros urbanos de países ricos como áreas de países em desenvolvimento, o que a torna um caso quase único de interesse para os arquitetos de todos o mundo. Segundo Ernesto Ottone, subdiretor-geral para a Cultura da UNESCO, “O Rio é uma fusão admirável entre natureza e cultura, sua arquitetura antiga e moderna, o resultado de uma criação inovadora desde meados do século XIX, o que a torna um lugar de beleza excepcional que conquistou a admiração de muitos autores, intelectuais e viajantes de todo o mundo”. Além disso, “é um exemplo bem-sucedido de revitalização do centro histórico urbano, de um espaço público aberto a todos“, disse ele sobre a escolha da cidade brasileira, a terceira maior da América Latina.

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Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava.

O Rio tem todos os atributos para ser uma maravilhosa primeira capital mundial da arquitetura“, concordou o presidente da UIA, Thomas Vonier. “Que melhor cidade do que o Rio para destacar os desafios que enfrentamos em nossa sociedade e em nossas cidades com uma população crescente, jovem, que tem muitas necessidades, e com muita gente vivendo em condições difíceis? A arquitetura e o design urbano podem atender a esses desafios ao mesmo tempo em que protege o maravilhoso legado e o meio ambiente?“, ponderou.

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A ponte Rio-Niterói.

Verena Andreatta, Secretária de Urbanismo da cidade, completa: “apesar de relativamente nova, a cidade do Rio já deixou valiosas referências na história da arquitetura. Ao longo de seus poucos séculos, passou por transformações substanciais, de grande magnitude, com técnicas complexas da engenharia e do urbanismo contemporâneos. Poucas cidades tiveram alteração tão expressiva em sua topografia original. Temos uma mescla eclética de estilos arquitetônicos e paisagem urbana reverenciada pelo mundo por suas condições naturais. O título de Capital Mundial da Arquitetura é a justa condecoração desta história“.

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A Cidade das Artes, de Christian de Portzamparc.

A designação como Capital Mundial da Arquitetura implica muitas responsabilidades. Durante todo o ano de 2020, a cidade será ponto de encontro de arquitetos, planejadores e formuladores de políticas, mas também de artistas e escritores que irão refletir sobre “os prementes desafios globais da perspectiva da cultura, do patrimônio cultural, do planejamento urbano e da arquitetura”. Serão realizados vários eventos sob o lema proposto pela cidade: “Todos os mundos. Um só mundo“, todos ligados ao Objetivo número 11 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU: “Fazer com que as cidades e os assentamentos humanos sejam inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”.

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O Theatro Municipal.

Em uma mensagem de vídeo, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, confirmou o compromisso de toda a cidade e suas autoridades “de transformar o ano de 2020 em um marco na história cultural da cidade. Além da visibilidade internacional, teremos a oportunidade de ampliar a relação de pertencimento dos moradores da nossa cidade com o seu patrimônio histórico e arquitetônico, difundindo e preservando esse acervo”, disse ele.

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VLT à frente do prédio do antigo Ministério do Exército e do prédio da Estação Central do Brasil.

Fontes: G1 e El País