O Leão de Ouro de Paulo Mendes da Rocha

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mai 25 2016

De origem capixaba, Paulo Mendes da Rocha é hoje um de nossos maiores arquitetos vivos. Agraciado com o Pritzker Prize em 2006 – considerado o “Oscar da Arquitetura” – eis que sua obra se destaca novamente a nível mundial: foi o escolhido neste ano para receber o Leão de Ouro, prêmio máximo da  Bienal de Arquitetura de Veneza, um dos mais importantes eventos da arquitetura mundial.

A casa projetada para sua família no bairro do Butantã em São Paulo, projeto de 1964: brutalismo em evidência.

Indicado pelo também premiado pelo Pritzker, o chileno Alejandro Aravena – que é curador do Conselho de Diretores da Bienal – Mendes da Rocha não poderia ser alvo de maior deferência: afinal de contas, em sua defesa para a concessão do prêmio Aravena o coloca como “(…) um desafiador inconformado ao mesmo tempo que um realista apaixonado”, e o conselho ratifica sua indicação afirmando que “o atributo mais marcante de sua arquitetura é a atemporalidade”, o que certamente foi decisivo na indicação.

Recuperação da Pinacoteca: agraciada com o prêmio Mies Van der Rohe para a América Latina, e um dos mais bonitos trabalhos do arquiteto.

Considerado um dos principais membros da Escola Paulista de Arquitetura, Mendes da Rocha segue o estilo Brutalista e foi dos profissionais que mais utilizou o concreto na arquitetura como material base/estrutural e também de acabamento em sua obra. Dentre seus projetos mais significativos estão o ginásio do Clube Atlético Paulistano, o Museu Brasileiro da Escultura, a recuperação estrutural da Pinacoteca de São Paulo, o pórtico de entrada da estação do metrô da Praça do Patriarca em São Paulo, entre outros.

Projeto de 2009, o Pórtico da Estação do Metrô da Praça do Patriarca no Centro de São Paulo utiliza concreto e aço.

Do alto de seus 87 anos de vida desafiadora e produtiva, o arquiteto receberá o Leão de Ouro em cerimônia no Palazzo Giustinian, em Veneza, Itália, no próximo dia 28 de maio.